Doutora Limonilda

Marta Garcia Cruz

Bio

Contam os ventos viajantes que há algum tempo, numa horta distraída onde ninguém reparava muito, crescia um repolho diferente. Não era maior, nem mais roxo, nem mais especial, mas sonhava.

Numa noite, uma semente viajante, cansada de atravessar países, bolsos e gargalhadas, decidiu ficar a viver entre as suas folhas. Trazia histórias, canções esquecidas e um desejo profundo: florescer em alguém que fizesse rir.

O repolho começou a sentir cócegas. E numa manhã… ploc!

De uma pequena flor nasceu uma palhaça pequenina com nariz vermelho, cheiro a limão e riso fácil.

Assim nasceu Limonilda.

Não caminhou: rolou de riso. Não chorou… bem, talvez só um bocadinho. E a primeira coisa que perguntou foi: “Há algo melhor do que o limão?” Claro que não.

Desde pequena descobriu duas coisas importantes: Que o limão torna tudo mais divertido E que o chocolate ajuda sempre a voltar a ser feliz, ou pelo menos a chegar perto disso.

Quando se emociona, as palavras embrulham-se um pouco. Mas então ela escuta melhor, olha melhor e fica mais um bocadinho.

É por isso que Limonilda visita hospitais: porque sabe que um pouco de riso, um pouco de limão e um pouco de tempo podem fazer o coração sorrir. E quando o coração aparece, os medos ficam mais pequeninos, porque partilhados, tornam-se mais leves.

Além disso, Limonilda não tem pais. Ou pelo menos, nunca os conheceu.

Mas tem uma família enorme. Tem milhares de irmãos e irmãs, todos com nomes de ervas, especiarias e chás:
Camomila, Canela, Anis, Hortelã, Gengibre… Nunca consegue lembrar-se de todos.

Diz que a sua família se foi formando assim: com quem cuida, com quem escuta, com quem fica mais um bocadinho. Por isso acredita que a família nem sempre se herda: às vezes encontra-se.

Recrutamento

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